Quais são os riscos mais comuns na terceirização financeira

 

Riscos mais comuns na terceirização financeira

 

A terceirização financeira (como BPO Financeiro) pode trazer ganho de tempo, rotinas mais organizadas e informações mais confiáveis para a tomada de decisão. Ainda assim, é natural que gestores e empreendedores se perguntem: quais são os riscos mais comuns na terceirização financeira e como mitigá-los? A resposta passa por escolher o parceiro certo, definir processos claros e estabelecer controles e indicadores desde o início.

Neste artigo, você vai entender os principais pontos de atenção, por que eles acontecem e o que fazer para reduzir riscos sem perder os benefícios da terceirização.

 

O que é terceirização financeira (e o que ela costuma incluir)

Terceirização financeira é a contratação de uma empresa especializada para executar e/ou organizar rotinas do financeiro, com processos, ferramentas e governança. Dependendo do escopo, pode incluir:

  • Contas a pagar e contas a receber
  • Conciliação bancária e conciliação de cartões
  • Emissão e controle de boletos e cobranças
  • Organização de documentos e fluxo de aprovações
  • Relatórios gerenciais (DRE gerencial, fluxo de caixa, indicadores)
  • Integrações com ERP, banco e plataformas de pagamento

Quando bem estruturada, a terceirização reduz retrabalho e melhora a previsibilidade do caixa. Mas, como qualquer operação crítica, exige critérios para evitar falhas de execução e problemas de controle.

 

1) Perda de controle e visibilidade do financeiro

Um receio comum é “terceirizei e perdi a mão do que está acontecendo”. Isso costuma acontecer quando não há rotinas de reporte, painéis claros ou quando o parceiro não trabalha com indicadores e prestação de contas periódica.

Como mitigar

  • Defina quais relatórios você precisa (ex.: fluxo de caixa projetado, posição diária/semana, inadimplência, contas a pagar por vencimento) e a periodicidade.
  • Estabeleça um rito de governança: reunião semanal/quinzenal com pauta fixa (pendências, divergências, próximos vencimentos, alertas).
  • Tenha acesso aos sistemas e às bases (ERP, bancos, dashboards), com níveis de permissão definidos.

 

2) Falhas operacionais (pagamentos errados, atrasos e inconsistências)

Erros acontecem quando processos são improvisados, quando há excesso de atividades manuais ou quando a empresa terceirizada não tem padrão de conferência. No financeiro, uma falha pequena pode virar multa, juros, ruptura com fornecedor ou desgaste com cliente.

Como mitigar

  • Crie checklists e SLA (acordos de nível de serviço): prazos de execução, tempos de resposta, horários de corte.
  • Implemente dupla checagem para tarefas críticas (pagamentos, alterações cadastrais, mudanças de dados bancários).
  • Padronize a entrada de demandas (central de solicitações, formulário, e-mail específico) para evitar ruídos.
  • Automatize conciliações sempre que possível, reduzindo dependência de planilhas.

 

3) Risco de compliance, fraude e controles internos fracos

Quando não existem controles internos (alçadas de aprovação, segregação de funções, trilha de auditoria), a empresa fica exposta a fraudes, pagamentos indevidos e mudanças não autorizadas. Terceirizar não elimina esse risco; na verdade, exige ainda mais clareza de responsabilidades.

Como mitigar

  • Defina alçadas: quem aprova o quê e até que valor.
  • Segregue funções: quem cadastra fornecedor não deve ser a mesma pessoa que aprova e executa pagamento (quando possível).
  • Exija trilha de auditoria: registros de solicitações, aprovações e comprovantes organizados.
  • Faça revisões periódicas de cadastros (fornecedores, dados bancários) e de pagamentos recorrentes.

 

4) Vazamento de dados e risco de segurança da informação

O financeiro lida com dados sensíveis: informações bancárias, folha (em algumas empresas), contratos, fornecedores e clientes. Um parceiro sem boas práticas de segurança pode expor sua empresa a riscos reputacionais e legais.

Como mitigar

  • Formalize confidencialidade (NDA e cláusulas contratuais sobre proteção de dados).
  • Controle acessos com permissões por função e autenticação em dois fatores (2FA) onde disponível.
  • Prefira ferramentas seguras (ERP, gerenciadores de documentos, pastas com acesso restrito) em vez de troca de dados por canais informais.
  • Defina política de armazenamento e retenção de documentos (o que fica com quem, por quanto tempo, em qual ambiente).

 

5) Dependência excessiva do fornecedor (e risco de continuidade)

Se todo o conhecimento do seu financeiro fica “na cabeça” do fornecedor, qualquer ruptura (troca de time, indisponibilidade, encerramento de contrato) pode gerar paralisação e perda de histórico.

Como mitigar

  • Documente processos: fluxos, rotinas, calendário financeiro, regras de categorização e plano de contas gerencial.
  • Garanta portabilidade: relatórios, cadastros e histórico devem ser exportáveis e entregues em caso de transição.
  • Crie um plano de contingência: quem executa tarefas essenciais se o canal principal falhar.

 

6) Relatórios “bonitos”, mas pouco úteis para gestão

Um risco silencioso é receber relatórios que não respondem às perguntas do gestor: “estou gerando caixa?”, “onde estou perdendo margem?”, “quais despesas cresceram?”, “qual a inadimplência real?”. Quando o BPO opera sem entendimento do negócio, os números até fecham, mas não viram decisão.

Como mitigar

  • Alinhe objetivos de gestão: crescimento, margem, redução de despesas, previsibilidade, controle de inadimplência.
  • Adote um plano de contas gerencial coerente com a realidade da operação.
  • Defina KPIs (ex.: margem por linha, CAC/LTV quando aplicável, ticket médio, prazo médio de recebimento, despesas fixas vs. variáveis).
  • Exija recomendações: além do “o que aconteceu”, o parceiro deve ajudar a interpretar causas e próximos passos.

 

7) Choque cultural e comunicação ruim

Terceirização funciona melhor quando há alinhamento de linguagem, prazos, prioridades e canais. Sem isso, o que era para dar fluidez vira atrito: demandas “perdidas”, aprovações que não chegam, decisões tomadas com base em informação incompleta.

Como mitigar

  • Defina canais oficiais de comunicação e prazos de resposta (ex.: até X horas úteis).
  • Estabeleça um responsável interno pelo relacionamento com o BPO (ponto focal).
  • Faça onboarding estruturado (primeiras 2–4 semanas) com mapeamento do fluxo real e ajustes finos.

 

Checklist prático para reduzir riscos antes de contratar

Se você está avaliando um parceiro de BPO, use este checklist como guia:

  • Escopo detalhado: o que entra e o que não entra
  • SLA e rotinas: prazos, horários de corte, ritos de reunião e reporte
  • Controles internos: alçadas, segregação e trilha de auditoria
  • Segurança: acessos, 2FA, confidencialidade e política de dados
  • Ferramentas: ERP, conciliações, integração com banco e organização documental
  • Relatórios: indicadores e formato de leitura (o que guia decisão)
  • Plano de transição: início, estabilização e eventual troca

Se você quiser se aprofundar em boas práticas e modelos de rotinas, vale acompanhar os conteúdos no blog da Levits BPO.

 

Quando a terceirização financeira é uma boa escolha

Em geral, a terceirização faz mais sentido quando a empresa precisa ganhar organização e previsibilidade sem aumentar estrutura interna no mesmo ritmo. Isso é comum em negócios em crescimento, empresas com time enxuto ou operações que sentem dor em conciliação, cobrança e controle de vencimentos.

Para entender como esse modelo funciona na prática e quais rotinas podem ser assumidas, veja a página sobre como o BPO Financeiro pode apoiar a rotina da empresa.

 

Perguntas frequentes sobre riscos na terceirização financeira

Terceirizar o financeiro é seguro?

É seguro quando existem contrato, controles internos (alçadas e aprovações), trilha de auditoria, segurança de acessos e rotinas de reporte. O risco aumenta quando tudo é feito por mensagens soltas, planilhas sem controle e sem definição clara de responsabilidades.

Quais são os maiores erros ao contratar um BPO Financeiro?

Os mais comuns são: contratar apenas pelo menor preço, não definir escopo e SLA, não criar processo de aprovação de pagamentos e não exigir relatórios gerenciais que orientem decisões.

Quem é responsável por pagamentos e decisões financeiras?

Mesmo com a operação terceirizada, a responsabilidade final pela decisão (e pela aprovação) deve ser da empresa contratante, seguindo alçadas definidas. O BPO executa e organiza conforme os processos acordados.

Como evitar fraudes na terceirização financeira?

Com segregação de funções, validação de alterações cadastrais, aprovações formais, limitação de acessos e auditorias periódicas. Pagamentos nunca devem ocorrer sem registro de solicitação e aprovação rastreável.

Em quanto tempo dá para perceber resultados?

Normalmente, os primeiros ganhos aparecem entre 30 e 90 dias: conciliações em dia, redução de atrasos, melhor visão do caixa e rotinas padronizadas. A maturidade gerencial (indicadores e análise) tende a evoluir ao longo dos meses seguintes.

 

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